OS ÚLTIMOS DIAS BARRIGUDA

Sexta-feira, dia 21 de julho, era aniversário da minha amiga Gabriela. Eu e Rodrigo fomos no restaurante comemorar com ela. Ju e Cebola estavam lá tb, afinal, a Ju é irmã da Gabi, e comentei com a Ju que eu estava sentindo muita cólica, mas achava que era por causa do peso da barriga.

 

No domingo, 23, discuti com o Rodrigo por alguns problemas daqui de casa que ele insistia em não querer resolver. Não vou citar aqui o que foi, mas era algo que me incomodava muito. Isso já começou a marcar os últimos dias da minha gravidez...

 

Na 2ª feira, tudo normal, estávamos bem. Toda manhã estava sentindo muita cólica. Continuava achando normal. Eu deitava um pouco e tudo se resolvia. Como dia 26, 4ª feira, eu tinha consulta com o Dr. Jorge, resolvi deixar pra perguntar pra ele sobre isso e relaxei. Resolvi terminar de lavar as últimas roupinhas e passar as que já estavam secas. Passei roupa das 12h às 19h. De noite, a Jô e o Thiago vieram aqui. Comentei com a Jô, que é enfermeira, que estava sentindo muita cólica e que achava que minha barriga estava muito dura, que parecia que não tinha mais para onde crescer. Ela disse que eu poderia ficar tranqüila, pois minha barriga ainda estava bem alta. E, afinal, eu só estava com 32 semanas de gestação. MAL EU SABIA O QUE ME ESPERAVA NESTA NOITE...

 

Eu e Rô fomos dormir por volta da meia-noite e ainda comentamos sobre a minha barriga estar dura e sobre a expectativa que estávamos com a chegada das meninas.

 

Às 2h30 da manhã, acordei e vi que ainda estava passando o “Programa do Jô” – a TV estava ligada. De repente, senti que minhas calças estavam molhadas. Pensei – “Fiasquenta! Fez xixi na cama...”. Quando me levantei, vi que estava molhada até o joelho. Acordei o Rodrigo e comentei que achava que minha bolsa tinha rompido (querendo acreditar que  não).  O Rô achou que não era nada. Fui ao banheiro e chamei ele. Tinha umas gosminhas brancas na calcinha e começou a correr um frio na minha espinha... o Rodrigo, ainda não querendo que aquilo fosse verdade, mandou eu deitar e me acalmar. Sentei na cama. Esperei um pouco. Quando levantei, vi que a bolsa tinha rompido MESMO, pois começou a escorrer muita água pelas minhas pernas e eu não conseguia segurar. Aquele líquido quente simplesmente saía e não parava mais. Chegamos à conclusão de que, realmente, tinha chegado a hora. AS MENINAS NASCERIAM!

:: Postado por Mamãe Ju às 17h28
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CORRENDO PARA O HOSPITAL

Tentei me manter calma, apesar de estar um pouco tonta com toda aquela situação. O Rodrigo lembrou que tinha emprestado o carro para o pai dele, então nem carro tínhamos para irmos ao hospital!

Enquanto eu trocava de roupa e pegava os documentos meus e do convênio, o Rodrigo foi acordar o Negão, nosso amigo que mora aqui no prédio, pra ver se ele poderia nos levar ao hospital.

Pensei em pegar a malinha delas e arrumar, pensei em pegar minhas coisas, mas não fiz nada disso. O líquido não parava de escorrer e eu caminhava com uma toalha entre as pernas. Só o que consegui fazer foi ligar para minha mãe, em Santos, e contar o que estava acontecendo. Pedi que ela me dissesse que tudo daria certo. E ela disse... apesar de, depois me confessar que também se assustou.

Descemos até o estacionamento e o Negão nos levou até o Hospital Nipo Brasileiro, que é perto de casa, onde eu tinha decidido ter as meninas, já no 5° mês de gravidez.

Eu e Rodrigo subimos para o andar da Maternidade, onde eu seria atendida. Esperamos enquanto arrumavam a sala de atendimento e eu só falava pro Rodrigo: “Elas vão nascer hoje...” Não sabia o que eu sentia, se era alegria ou medo.

Quem me atendeu foi a Dra. Catarina. Fiquei super feliz, afinal, já conhecia ela. Foi ela quem fez o parto do meu sobrinho Gabriel, e como acompanhei a Evelyn nas últimas consultas do pré-natal, sabia que ela era gente muito boa.

Quando ela viu que era uma gravidez gemelar, com bolsa rota, de 32 semanas, arregalou os olhos e mandou avisarem o meu médico. Enquanto isso, fiquei deitada fazendo um exame chamado Cardiotocografia, onde eles medem os batimentos cardíacos dos bebês. As meninas ainda se mexiam dentro de mim. O líquido continuava escorrendo, mesmo eu estando deitada. Comecei à sentir muitas dores nas costas. Dra. Catarina verificou no exame que eu já estava tendo contrações. Segundo ela, se eu não entrasse em trabalho de parto, poderíamos tentar segurar mais uns dias. Mas pelo exame, eu já estava com 1 dedo de dilatação e com contrações. Não ia passar muito tempo até que as meninas viessem.

Como a Dra. Catarina constatou que as meninas iriam mesmo nascer, consultou o berçário patológico e parece que não tinha vagas. A Lua virou, foram 12 partos naquela noite e o berçário da UTI Neonatal estava lotado. Mas depois ela veio com a ótima notícia que eu poderia ter minhas pimpolhas ali no Nipo mesmo. Dei graças à Deus, pois escolhi este hospital justamente para que, se isso acontecesse, fosse próximo da minha casa.

Perguntei para a Dra. Catarina o que poderia acontecer, crente que eu ouviria algo como – “Calma, vai dar tudo certo.” Mas o que eu ouvi foi um desanimador – “Com 32 semanas de gestação, início do 8° mês, tudo pode acontecer.” Fiquei morrendo de medo...

Dali da maca não me deixaram mais colocar os pés no chão. Fui para uma cadeira de rodas e para outra maca, no Pronto Atendimento, enquanto arrumavam um apartamento na Maternidade (que estava bem lotada) para mim.

Comecei a notar que as contrações estavam compassadas. Pedi que o Rodrigo marcasse e vi que estavam vindo de 5 em 5 minutos.

Nesse meio tempo, fui fazer ultrassom e fiquei aliviada quando veio o resultado de que as meninas já estavam com mais de 1.700kg. A esposa de um primo meu, que trabalha no Hospital Albert Einstein, tinha me alertado – “Se passarem de 1.700kg, pode ficar tranqüila”. E eu tentei ficar.

Fiquei impressionada com meu comportamento. Estava sossegada, conversando muito com Deus, pedindo para que Ele me desse calma para aquele momento e que abençoasse minhas filhinhas, para que elas nascessem em perfeitas condições de saúde.

Dra. Catarina apareceu no Pronto Atendimento e passou um remedinho no soro pra segurar as contrações, já que o Dr. Jorge só viria às 7h fazer o parto. Mesmo assim, as contrações já vinham de 4 em 4 minutos.

Minha mãe chegou por volta das 4h30. Fiquei super feliz dela ter vindo de Santos para cá. O Ricardo, meu abençoado padrasto, veio junto (claro, só ele mesmo pra sair de Santos de madrugada). Enquanto o Rodrigo ia cuidar da papelada da internação, minha mãe ficou comigo e massageava minhas costas cada vez que vinha uma contração.

O apartamento da Maternidade, finalmente, ficou pronto e me levaram para lá. Era um apartamento grande, com uma ante-sala. As enfermeiras brincaram dizendo que eu ia ficar em uma acomodação maior pq teria gêmeas.

As contrações vinham mais próximas e a hora também ia passando. Às 6h, consegui falar com meu pai. Ele viu chamada minha no celular e ligou dizendo – “Já sei, estourou a bolsa”. Falei com ele e com minha madrasta, que tb tem gêmeas, e me deu a maior força.

Minha mãe ligou para meu tio Regi e avisou o que estava acontecendo. Pediu pra que contasse para a minha vó Ângela, mas com calma. Falei com a Dida que me desejou sorte. O Rodrigo tb ligou pro vô Lauro e avisou. Bom, pelo menos a corrente de orações por nós estava grande!

:: Postado por Mamãe Ju às 17h27
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O PARTO

De repente, duas enfermeiras vieram me buscar. Pediram para que eu tirasse brincos, relógios... fiquei só de camisolinha do hospital e me passaram para outra maca. Já estava na hora. Apesar da situação ser complicada, me mantive calma. Minha mãe e o Ricardo se despediram de mim e me desejaram sorte, enquanto o Rodrigo ia acertar tudo pra poder assistir o parto. Sim, graças à Deus ele ficou comigo. Ele não queria muito, mas qdo me vi naquela situação, disse pra ele que não poderia ficar sozinha na sala de parto e ele topou ficar comigo.

Fui para o centro obstétrico. Achei engraçado, pq era uma sala, com a porta aberta. Pensava que era algo mais assustador e complicado. Várias enfermeiras entraram e começaram a me ajeitar. Uma delas, amiga da família do Rodrigo, me deu a maior força. Me passaram para outra maca, pequenininha. Achei até que ia cair.

Quando eu vejo, chega o Dr. Jorge, me ohando com uma cara... foi engraçado, pq ele sempre disse pra que eu conversasse com as meninas, para que elas nascessem depois das 37 semanas, e eu fiz isso a gravidez toda... quando ele chegou, eu disse – “Dr. Jorge, eu pedi, mas elas não quiseram esperar...” Ele, japonês e super calmo, me explicou tudo que aconteceria. A Dra. Catarina tb auxiliaria ele. Fiquei feliz!

A anestesista veio conversar comigo, me explicou como seria o procedimento.

Bom, começou... fiquei sentada na maca, enquanto duas enfermeiras me seguravam e a anestesista aplicava a raque. Na mesma hora comecei a ter contração, e foi o momento mais doloroso (fisicamente falando). Eram várias injeçõezinhas. Eu não conseguia relaxar o ombro e a enfermeira ficava tentando me ajeitar. Sentia choquinhos nas pernas. Era a anestesia pegando. Rapidamente, deitei e já não sentia mais nada. As pernas estavam pesadas, só sentia que estavam mexendo nelas, mas nada de dor ou desconforto. Me depilaram, colocaram a sonda e já armaram toda aquela “panaiada” que fica na nossa frente. As pediatras se apresentaram e eu pedi que elas cuidassem bem das minhas bebês.

Nesse momento eu só queria saber onde estava o Rodrigo. Daqui à pouco ele chega, de roupa azul, máscara e touca. E disse – “Trouxe um fotógrafo!”. Fiquei super feliz e agradeci a ele aquele presente. Eu estava deitada, com os braços abertos. Os médicos já cortando e fazendo todo procedimento da cesárea. O Rodrigo olhando tudo e de mãos dadas comigo todo o tempo. Eu estava dura. Batia o queixo de frio, por causa da anestesia.

Eu perguntava o que estava acontecendo e o Rodrigo não falava muita coisa. O meu medo maior era em que estado as meninas sairiam da minha barriga. Estava tranqüila, mas tensa de preocupação com elas. De repente, o Ro diz – “Acho que vem bebê por aí”. Mais um tempinho e escutei o primeiro chorinho. Fiquei aliviada, a Isabela nasceu chorando. Nem vi a nenê, passaram correndo com ela para outra sala. Eu só escutava o choro dela, muito diferente e engraçado.

Um minuto depois, outro chorinho. Era a Vitória chegando. A mesma coisa: passaram correndo com ela e eu nem a vi.

Perguntaram para mim os nomes e quem seria a 1ª e a 2ª. Isabela a primeira e Vitória a segunda.

O tempo todo queria saber se estava tudo bem. Achava que ia chorar no parto, me emocionar. Confesso que não conseguia sentir nada. Parecia que eu estava dentro de um filme, que me via fora daquela situação. Eu queria chorar, amar, ficar feliz, qualquer coisa, mas nenhum sentimento vinha. O Rodrigo chorava e eu só queria saber delas...

Mais um tempinho e vieram trazendo a Isabela, toda enroladinha em um lençol azul. Cabeluda, com o narizinho igual ao do papai. Não deixaram que ela ficasse muito tempo. A pediatra disse que ela estava cansadinha e tinha que ir.

Daqui à pouco vem a Vitória. Ainda menorzinha que a Isabela, mas com aquele mesmo narizinho e um tantão de cabelo preto! Na Vitória, me deixaram dar um beijinho e eu ri pq ela fazia bolinha de cuspe com a boca.

O Rodrigo teve que ir e eu fiquei sozinha, com o Dr. Jorge e a Dra. Catarina terminando a cesárea. Agradeci muito à Deus pq minhas pimpolhas nasceram chorando forte. Eu não sabia mais nada, só isso... que choravam igual a Chiquinha, do Chaves.

Foi mais demorado terminar a cesárea do que iniciar. Uma hora o Dr. Jorge olhou pelo pano para ver se eu estava dormindo, de tão quietinha que estava. Toda hora a anestesista vinha me perguntar se estava tudo bem e ficava ao meu lado.

Depois de tudo pronto, me passaram para outra maca e fiquei em outra sala, me recuperando do parto. Demorou quase 2 horas até que me levassem para o apartamento.

Quando cheguei, vi que minha mãe tinha pendurado o enfeite de porta, lindo, com os nominhos delas. Aí comecei a me sentir um pouco melhor.

Soube que as meninas estavam na UTI Neonatal, na encubadora, mas estavam bem. O Rodrigo foi com elas até lá depois que saiu do centro obstétrico e foi ele quem me contou.

:: Postado por Mamãe Ju às 17h27
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O PRIMEIRO DIA DO PÓS PARTO

Na tarde do dia 25, dia em que elas nasceram, a Ju e o Cebola vieram me visitar no Hospital. Só que, quando eles chegaram, a cama em que eu estava deu um problema e começou a se mexer sozinha. Ainda bem que duas enfermeiras estavam ali e já me passaram para uma maca pra que trocassem a cama. A anestesia tinha passado, então já me sentia um pouco dolorida. Colocaram a maca onde eu estava no corredor. Isso era por volta das 14h. Foi quando abriram a cortina da UTI Neonatal (isso só acontecia 3x ao dia). Minha mãe pediu para as enfermeiras se podia levar a maca até o vidro da UTI para que eu pudesse ver minhas filhinhas, já que ainda não tinha visto direito. Deixaram!!! Pelo vidro, ví as duas pitoquinhas na encubadora, de toquinha e cheias de fiozinhos e tubinhos ao redor, que depois eu entenderia pra que serviam. Foi muito bom ver minhas filhotas.

Às 16h, uma enfermeira veio para que eu pudesse tomar banho. Desci da cama e fui até o banheiro com a ajuda da minha mãe. Tomei banho sozinha, com a minha mãe direcionando o chuveirinho em mim. Ela estava impressionada com a minha recuperação.

De noitinha, vieram me visitar a Evelyn, Regiane e Rose. Aí, às 20h30 pude fazer minha primeira visita à UTI Neonatal.

:: Postado por Mamãe Ju às 17h26
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19 DIAS DE UTI.

Começava ali minha rotina de “mamãe de UTI”.

Dr. Jorge, de tarde, veio me ver e disse que elas estavam super bem. Isabela teve APGAR 7 e 9 e a Vitória, 6 e 8. Melhores do que eu, quando nasci, que ganhei 5! Fiquei mais feliz!!!

Naquela noite, fui caminhando o mais rápido que conseguia, estava doida pra ver as meninas. Apesar do desconforto, minha dor era mais psicológica do que física. Queria saber como elas estavam. 

Eu e Rodrigo entramos na UTI e uma enfermeira nos orientou à lavar as mãos e vestir um avental. Entramos na sala onde estavam as encubadoras. Minha primeira reação foi chorar! Foi um misto de alegria e dor, ao ver minhas filhas com set up no nariz (para auxiliar a respiração), sonda na boca e cheias de sensores e caninhos por onde tomavam remédios direto nas veias. Uma enfermeira veio me explicar como tudo funcionava e perguntou pq eu estava chorando. Era muito ruim ver elas daquele jeito. A enfermeira me explicou que aquele era um procedimento normal para bebês prematuros. A Dra. Ana, uma das pediatras que fez meu parto, também veio falar comigo e me explicou tudo.

No dia seguinte, Dr. Jorge veio me ver e contou que a Isabela já tinha tirado o set up e respirava sozinha, sem auxílio. Fiquei radiante. Mais um dia e foi a Vitória quem “copiou” a irmãzinha e fez o mesmo.

Nos dias que fiquei no hospital, a rotina era a mesma: ia à sala de coleta de leite para estimular o peito, das 11h às 12h ia ver as meninas, o que se repetia das 14h30 às 15h. Novamente ia estimular a saída do leite e à noite, das 20h30 às 21h, visitava novamente a UTI Neonatal.

O estímulo do leite é um capitulo à parte!!! No primeiro dia, demorei 1 hora pra tirar 10ml, o que depois foi melhorando, mas eu suava de nervoso, achando que não teria leite! Ainda mais pq as meninas começaram a mamar por sonda. 1ml por mamada, dá pra acreditar?

No sábado, dia 29, recebi alta. Vim para casa com o Rodrigo e minha mãe, de mãos vazias, sem bebês. Chegando em casa, começamos a arrumar tudo, pois não sabíamos quando as meninas sairiam da UTI.

Os dias foram se passando assim. Ia para o Hospital às 10h30, tirava leite, ia para a visita. Almoçava, tirava leite, ia para a visita da tarde. Saindo da visita, tirava leite novamente. De noite, ou ia mais cedo ou ficava para depois da visita para tirar leite. Me sentia uma vaquinha. Ainda mais pq nos primeiros dias, difícilmente saía muita coisa. A não ser na primeira retirada do dia. Eu via as outras meninas tirando, facilmente, 150ml, enquanto eu remava para tirar 50ml. E isso começou a apertar, pq as meninas passaram de 1ml inicial para 45ml cada uma, de 3 em 3 horas.

A primeira semana foi a mais complicada. As meninas estavam direto na encubadora. Nós podíamos toca-las e era o que fazíamos todo o tempo. Tocávamos e conversávamos. Depois eu e o Rodrigo trocavamos de bebê, ou, quando eu estava sozinha, dividia meu tempo entre as duas.

No início da segunda semana de UTI, as meninas foram liberadas para mamar no peito. Com o auxílio de uma fonoaudióloga, a Vitória foi a primeira a fazer isso. A fono sugeriu que eu usasse um bico de silicone para facilitar para as meninas, coisa que faço até hoje e funcionou muito bem. Cada dia era uma evolução. Já respiravam o mesmo oxigênio do ambiente, estavam com o pulmão funcionando melhor, mamando por sonda cada dia mais, entre outras surpresas boas. Apesar de tudo isso, eu vivia dependente da máquina que marcava os batimentos cardíacos e respiração das duas. Um dia, explodi e chorei muito por causa disso. No dia seguinte, conversei com uma médica, a Dra. Cris, que é um amor, que disse para que eu esquecesse o raio da máquina.

No domingo, dia 6 de agosto, cheguei de manhã para tirar leite e a enfermeira disse que tinha uma surpresa boa para mim. Logo suspeitei que elas tinham saído da encubadora para o bercinho, coisa que ela confirmou.

Fui correndo para a UTI e elas já estavam na sala de cuidados Semi Intensivos. O Rodrigo segurava uma delas no colo com maior cara de orgulhoso! Entrei e pude, finalmente, pegar minhas filhas no colo. Ali sim, finalmente, me senti mãe!

Dali foi rápido. Tiraram as sondas para que elas mamassem somente na chuquinha e no peito, e, finalmente, no sábado, dia 12, a Dra. Ana disse que elas estavam muito bem, que poderiam desligar os sensores que marcavam batimentos cardíacos e respiratórios porque ela deixaria a alta encaminhada. Quase explodi de alegria e ansiedade!

Liguei para minha mãe, que já tinha voltado pra Santos, e pedi que ela viesse.

No domingo de manhã, levantei mais cedo, fiz escova e coloquei o vestido que comprei especialmente pra ocasião. Cheguei na UTI para amamentar e levei uma cesta cheia de lembrancinhas para as enfermeiras, que eu dizia serem as “mãezinhas emprestadas” das minhas filhas, pois todas eram muito carinhosas e sempre me deram a maior força. Na bolsa, eu tinha as roupinhas que comprei pra saída da maternidade. Apesar de todos os macacões ficarem enormes, eu fazia questão de que elas estivessem sempre lindas, com tudo combinando.

Graças à Deus, às 16h do dia 13 de agosto, Dia dos Pais, acabou minha agonia de ser uma “mamãe de UTI”. Saímos do hospital escoltados por 2 enfermeiras e um segurança. Nos acompanharam na saída três mãezinhas, que se tornaram amigas durante todo esse tempo. A saída foi linda e emocionante. Me despedi das meninas, das enfermeiras e entramos no carro rumo ao nosso apartamento, para que Isabela e Vitória finalmente enchessem aqueles bercinhos com suas presenças, pois uma das coisas que mais me doeu durante todos esses 19 dias, era chegar em casa e ver o quartinho tão vazio!

:: Postado por Mamãe Ju às 17h25
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UM CAPÍTULO À PARTE: A CONFRARIA DAS MÃEZINHAS DE UTI.

Durante os 19 dias que ficamos na função de idas e vindas ao Hospital, tive a sorte de encontrar muita gente boa na mesma situação que eu. Foram personagens importantes para que eu não entristecesse, que sempre me colocavam para cima, apesar de estarem sofrendo também. Todas nos tornamos muito amigas, trocamos telefones e combinamos que nos aniversários de 1 aninho desses bebês, nos reencontraríamos! São elas:

 

Raquel – mamãe da Vitória. Raquel foi uma das primeiras com que tive contato. Ela tirava “litros” de leite na sala de coleta quando começamos a conversar e ela me deu dicas de como fazer o leite sair melhor. E funcionou. Raquel tem 22 anos, é casada com Tiago à 5. Tem 3 filhos: Pedro (5 anos), Miguel (1 ano e meio) e a Vitória, que estava na UTI. A Vitória é uma bebezona linda, loirinha, de olhos azuis e gorducha que teve um problema de falta de oxigenação no cérebro na hora do nascimento. Por isso estava lá. Ela é a cara da Raquel! Graças à Deus, a Vitória vêm evoluindo muito. É uma pessoa admirável, que foi minha companheirona! E, pelas notícias que recebi, ela já foi para casa.

 

Denise – mamãe da Roberta e Rafaela. São duas gemeazinhas “metidinhas” como as minhas, que nasceram de 28 semanas. A Denise está na função de UTI desde o dia 14 de julho. O problema das meninas era o mesmo que o das minhas: aprender a respirar sozinhas, mamar e engordar. Ela está nesse processo e quando saí da UTI, ela estava fazendo “mãe canguru”. Foi emocionante ver a primeira vez que ela pode pegar as meninas no colo. Ambas são muito espertinhas, levantavam a cabeça todo o tempo, parecia que iam sair “nadando” da encubadora. É questão de tempo para ela ir embora com as meninas, e foi ela quem deu notícias pro Rodrigo das mamães que já foram pra casa. Dessa turma, só ela ainda está lá.

 

Célia – mamãe do Vitor. Quanta risada a gente dava com essa mulher! Super bem humorada, é mãe também do Mateus, que tinha pra quem puxar, pois arrancava gargalhadas da gente. A Célia teve o Vitor e o levou para casa, mas dias depois ele teve probleminhas, que estavam tentando descobrir se eram estomacais ou de intestino. O Vitor é um bebezão lindo, que mama muito. Segundo a Célia, ele tem Sindome de Down, mas estava lá por causa desse outro problema, que não tem nada à ver com Down.

 

Elisângela – mamãe da Thamires. Eu e Elisângela fomos “vizinhas” de parto. Quando eu estava na sala me recuperando, ela estava entrando pra fazer a cesárea da Thamires. A bebê também nasceu de 32 semanas e teve alta um dia antes das minhas filhotas. A evolução delas era bem parecida. Elisângela é pastora evangélica, e me deu muita força durante todo esse tempo. Ficamos muito amigas e ela me ligou diversas vezes desde que saímos do hospital.

 

Alice – mamãe do Serginho. A Alice também era um barato! Tinha um marido muito engraçado, o Sérgio. O Serginho nasceu bastante tempo antes do previsto, com 1.040kg. Estava no processo de respirar sozinho, aprender a mamar e ganhar peso. Eles já estavam na UTI à mais de 60 dias! Quando retornamos no berçário para pesar as meninas, 2 dias depois da alta, encontramos o Sérgio e a Alice, felizes da vida, porque o Serginho tinha recebido alta... e eles, sossego merecido. Se eu não agüentava mais depois de 19 dias, imagina eles...parece que eles tiveram que voltar ao hospital pq o Serginho teve hérnia umbilical e foi operado, mas já voltou para casa.

 

Thayna – mamãe da Sophie. A Thayna teve uma gestação gemelar como a minha: placenta única e duas bolsas. A outra filhinha dela é a Sara. O parto dela foi com 36 semanas, tudo tranqüilo. Só que a Sara nasceu com 2.800kg e a Sophie, com 900gr! A Sophie não teve problemas de bebês prematuros, já que nasceu num tempo bom, mas tinha que engordar. Era a bebê mais chorona do berçário e a gente ria muito pq a Thayna contava que a irmãzinha dela também era assim. A Sophie era a “mascotinha” das enfermeiras. Quando recebemos alta, ela também estava com previsão de ser liberada no dia seguinte, segunda-feira. E, graças à Deus, isso aconteceu, pq foi difícil pra Thayna deixar uma em casa e a outra na UTI.

 

Rosana – mamãe do Guilherme. Ela é um pouco fechada, até porque o problema do Guilherme não era muito fácil de se comentar. Mas é uma pessoa de muita fibra e coragem. Enquanto estava grávida, já sabia como o Guilherme viria ao mundo e foi firme e forte! Um dos momentos mais difíceis para todas nós, “mãezinhas da UTI”, foi ver a Rosângela e o marido dela chorando depois de um pediatra conversar com eles. Todas nós ficamos abaladas. Fiquei sabendo à pouco que o Guilherme faleceu. Infelizmente, o problema dele era irreversível...

:: Postado por Mamãe Ju às 17h24
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